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Page history last edited by Luciene 2 years, 8 months ago

 

                 DOSSIÊ DE INCLUSÃO

                                        Atividade 1 

 

 

 

 

 

 

 

       Entre os anos de 2002 e 2003 ,trabalhava em uma escola municipal de ensino regular e numa escola infantil da mesma rede.

       Recebi em cada escola, uma criança portadora de Síndrome de Dow. Na escola regular, uma menina, a quem chamarei Martha. Ela vinha da rede estadual, para nossa turma do então Jardim B. Tinha atendimento desde bebê, mas precisava socializar-se. Martha não conversava com os colegas e estabelecer vínculo com ela, foi meu grande desafio. Fiquei observando-a muito tempo, até que  um dia, havia esquecido de desligar meu celular e este tocou no meio da aula. Fui desligá-lo e percebi que neste instante, Martha buscou em sua mochila um igualzinho, só que de brinquedo. Assim, pude chegar mais perto dela, elogiando o telefone e finalmente estabelecendo um diálogo. Passados alguns dias, deixei meu celular ligado propositalmente para estabelecer esta "ponte " com ela. Começamos a conversar e descobri que a menina assistia uma novela, no SBT, tipo mexicana e que o vilão a incomodava. Passei a gravar alguns capítulos, até dar conta do nome dos personagens e falar com ela sobre o vilão em questão. O objetivo maior era integrá-la à turma e conseguimos no final do ano letivo que ela enxergasse seus colegas e professores.

     Ao mesmo tempo, na escola infantil, chegara um menino, no Jardim A, quem chamarei de Luis. Ao contrário de Martha, ele não tinha o mesmo atendimento, ou melhor, a família, não dava sequência aos atendimentos conseguidos pela escola e Luis não conversava, mordia os colegas o tempo todo, não comia sozinho, enfim parecia um bebê. Pude, neste período, ter duas experiências muito significativas em minha vida profissional.

    Mas para que fique claro a importância deste momento, voltarei a um passado ainda mais distante (1983), dois anos antes de me formar no curso de magistério. Ao longo do curso, participei de vários congressos e seminários promovidos pelo professor Vilson Bagattini, que trabalhava com crianças Dows. Claro que a realidade dos alunos dele era outra e com esta realidade que eu imaginava que trabalharia um dia. Soube então de um possível estágio na FADERS. Fui até lá e enquanto esperava a diretora, que estava em reunião, vi crianças com deficiências múltiplas. FIQUEI APAVORADA E SAÍ CORRENDO (literalmente), sem falar com a diretora. Nunca mais, até receber estes dois alunos, eu voltei a falar, fazer cursos ou afins, sobre este assunto. Lembro que chorei muito, decepcionada comigo,com aquela reação.

    A chegada deles, foi uma chance que tive de provar para mim mesma, que podia trabalhar com crianças especiais e mais, ajudá-las a fazer parte de seu processo de socialização e aprendizagem. Hoje eu sei que Martha está alfabetizada e segue nesta escola, mas de Luis nunca mais tive notícias, e não consegui com ele, a mesma evolução, pois a família não contribuiu com o trabalho da escola.Enquanto Martha seguia seu caminho apoiada pela escola e por seus familiares,Luis fazia o caminho inverso,resultado da falta de comprometimento de sua família,apesar de todo o esforço da escola.

    Acredito que "incluir" é possível,mas é necessário que este seja um objetivo verdadeiro entre nossos governantes e não algo que vire parte de uma futura campanha política.

 

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Comments (4)

Simone Ramminger said

at 10:08 pm on Apr 5, 2009

Olá Luciene!
"O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais."
Parabéns! Criaste o pbwiki para o Dossiê, me enviaste o e-mail com o endereço e me deste acesso a ele. Agora estou curiosa para ler o teu relato de experiência.Aproveita também para ler os depoimentos dos teus colegas e deixar comentários nos wikis. Abraço, Simone Ramminger - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 11:15 pm on Apr 5, 2009

Luciene, que relato interessante!!! São duas experiências bem diferentes. Isso mostra que a inclusão não é tarefa simples e o quanto depende não só do preparo do professor, mas também da colaboração da família, da estrutura da escola...
Conta um pouco mais como foi pra ti, depois de alguns anos, voltar a ter contato com crianças com necessidades especiais e recebê-las na tua sala de aula. Se hoje recebesses uma criança assim na tua sala, seria diferente?
Nas próximas postagens, procura fazer links com os textos disponibilizados na interdisciplina. Tenho certeza que construirás um Dossiê muito rico!!!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Luciene said

at 1:50 am on Apr 12, 2009

Simone!
Como diz o relato foi uma experiência única depois de tantos anos,aquela situação que para mim representou um fracasso e até uma grande decepção,pois eu tinha como certa minha,digamos,"vocação" para a Educação especial,transformou-se num divisor de água em minha vida profissional.Acredito que a maturidade me fez reagir de forma diferente e buscar mais possibilidades de trabalho com aquelas crianças.Hoje minha grande preocupação seriam os recursos que me auxiliariam neste trabalho,para que realmente fosse significativo para meus alunos e suas famílias.Nos anos 80 conhecia apenas o trabalho com Dows,as crianças que vi na FADERS eram portadoras de deficiências múltiplas e eu não estava preparada para aquela realidade e acredito que ainda não esteja.Troco muitas idéias com a Bia Guterres sobre a escola em que ela trabalha e percebo (digo sempre isso à ela) o quanto são especiais as pessoas que atendem aqueles alunos e graças à Deus que eles as tem.
Um abraço,Luciene

Simone Ramminger said

at 3:27 pm on Apr 18, 2009

Oi Luciene!
Como relatas, nem sempre reagimos como esperávamos ou gostaríamos frente a algumas situações e isso as vezes nos deixa muito encomodados mesmo. Isso serve para gente pensar e analisar muitas coisas na nossa vida. Essa interdisciplina busca proporcionar um embasamento teórico e um espaço para reflexão e trocas com os colegas sobre os alunos com necessidades educacionais especiais. A atividade 2 já está publicada no rooda. Lembra de fazer links com os textos (que estão bem interessantes!). Aguardamos a tua postagem! Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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